Karmas

KARMA
A palavra “Karma” vem da Índia e significa ação.

A lei Kármica é uma lei da natureza, tal como a lei de causa e efeito ou a lei de ação e reação e outras encontradas no Universo. É portanto, uma lei natural, que governa a natureza de cada encarna­ção. Possui vários aspectos importantes; atua de modo impessoal, sem levar em conta quem está en­volvido, uma vez que não possui preferências e nem qualquer traço emocional. Não pode ser manipu­lada para favorecer ninguém. Esta lei existe desde o momento em que o “Ser” inicia a sua evolução além do tempo e do espaço.

Como se adquire “Karma”?
Toda ação que o indivíduo realiza, tudo o que ele pensa, sente, diz ou faz, – quer por iniciativa própria, quer em resposta à outra pessoa – tudo fica registrado nos arquivos akashicos, onde tudo é co­nhecido de forma simultânea e eterna.

A lei kármica avalia se a ação realizada pelo “Ser” ajuda ou prejudica outros “Seres”, se suas ati­vidades criam fatores positivos ou negativos sobre outros “Seres”, sobre o ambiente ou local onde vive, no Planeta que o abriga, incluindo nisto todos os seres animados e inanimados.

Os pensamentos, sentimentos e ações de uma pessoa são encarados de um ponto de referência muito elevado, e ficam registradas no “arquivo akashicos”, onde tudo é conhecido de forma simultânea e eterna.

O “karma” é pois adquirido de modo contínuo, por todos. Ninguém pode evitar criar ou adquirir “karma”. Porém o karma em si, não é bom nem ruim. Depende inteiramente do indivíduo. O que ele pode evitar, porém, é adquirir karma negativo.

Como evitar o “Karma negativo”?
Para evitar o “karma negativo” é necessário que o indivíduo tenha consciência de sua responsabi­lidade, não só para consigo mesmo, como um instrumento de expressão divina, mas também em rela­ção a todos os seus semelhantes, a todas as criaturas e a todo o meio ambiente.

Matar, enganar, maltratar outros seres humanos ou animais e vegetais, roubar, destruir bens – são ações erradas em termos da Lei Universal e do “karma”. As violações da Lei são a principal causa da criação de “karma” negativo. Em áreas que não são facilmente reconhecidas como negativas é que a maioria do “karma negativo” é adquirido. Bondade estudada, caridade programada, ações que se destinam a aliviar a própria consciência em vez de se originarem de sentimentos espontâneos, não contribuem de forma alguma para o “karma positivo”. Por outro lado, ações ou abstenção de ações que interfiram na harmonia da Natureza ou de semelhantes podem pesar muito a favor do indivíduo.

Adquirimos “karma negativo” quando buscamos vantagens ou sucesso pessoal em detrimento de outras pessoas.
Quando surge oportunidade de progredir sem destruir ninguém no caminho, então isto é a coisa karmicamente certa, positiva, para se fazer.
Todos devemos ter cuidado conosco mesmo, antes de mais nada. Somente quando, de modo consciente, causamos mal ou destruímos outros “seres” ou nos destruímos é que o “karma negativo” entra em vigor.
A guerra e a violência em si, são portadoras de “karma negativo”. Não existem guerras justas. (G. Bernard Shaw).
Todos nós dispomos de livre-arbítrio, que nos possibilita adquirir “karma” negativo ou positivo.

Como se paga Karma?
O “karma” pode ser crédito ou débito, dependendo do acontecimento, da situação, da ação ou da personalidade do indivíduo.
Se for um crédito, por intervenção da lei cármica, volta para o indivíduo como bênção, no devido tempo.
Se for débito, terá que ser saldado por meio de ações e reações positivas.
Adquirimos “karma” positivo vivendo em harmonia com as Leis de Deus, treinando-nos para rea­gir de modo intuitivo, no caminho correto, nos momentos necessários, qualquer que seja o desafio ou a situação.

Assim, a questão de adquirir mais “karma” positivo, não é de lógica é de sentimento.
Sentimento é uma expressão delicada da alma que resulta da harmonia entre o trio da mente, do corpo, e do espírito. Para conseguir esta harmonia precisamos do: “Conhece-te a ti mesmo.” Conhecer a si mesmo é: entender os próprios potenciais, forças e fraquezas, e aceitar-se com todos os defeitos que tenha, ao mesmo tempo, colocar-se à disposição das Forças Superiores para praticar o bem, en­tendendo que é apenas uma pequena partícula de um sistema grande e unificado. Manter se vivo, no sentido pleno da palavra, crescendo em sabedoria e amor. Esses são os meios seguros pelos quais se aumenta o “karma positivo”, saldando se o “karma negativo”.

Citemos Joanna de Ângelis – “Momento de Consciência”:

“Quando os atos são positivos, os seus resultados caracterizam-se pela excelência da qualidade, favorecendo o “Ser” com momentos felizes, afetividade, lucidez, progresso e novos ensejos de cresci­mento moral, espiritual, intelectual e humano, promovendo a sociedade, na qual se encontra.”

“O KARMA ESTÁ SEMPRE EM PROCESSO DE ALTERAÇÃO CONFORME O COMPORTAMENTO DA CRIATURA”

“A desdita que se alonga, o cárcere moral que desarvora, a enfermidade rigorosa que alucina, a limitação que perturba, a solidão que asfixia, o pesar que amargura, podem alterar-se favoravelmente, se aquele que os experimenta resolve mudar as atitudes, aprimorando-as e desdobrando-as em prol do bem geral, no que resulta em bem próprio”.

“NÃO EXISTE NAS SOBERANAS LEIS DA VIDA FATALIDADE PARA O MAL”

“O que ao” Ser “acontece é resultado do que ele fez de si mesmo e nunca do que Deus lhe faz, como apraz aos pessimistas e aos derrotistas.”

Citemos Joanna de Ângelis – “PLENITUDE”:

“Conforme acentua a Doutrina Espírita, o Homem é a síntese das suas próprias experiências, autor do seu destino, que ele elabora mediante os impositivos do determinismo e do livre-arbítrio.”

Para melhor entendimento do assunto busquemos em “O Consolador” de Emmanuel, na resposta as perguntas 132 e 134, explicações sobre o determinismo e livre-arbítrio: “Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos para a elevação e redenção dos Homens.” – “O primeiro (determinismo) é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas, e o segundo (livre-arbítrio) amplia-se com valores da educação e da experiência.”

“A DETERMINAÇÃO DIVINA NA SAGRADA LEI UNIVERSAL É SEMPRE A DO BEM E DA FELICIDADE PARA TODAS AS CRIATURAS.”

“Esse determinismo, inevitável em alguns aspectos: nascimento, morte, reencarnação, estabelece as linhas matrizes da existência corporal, propelindo o “Ser” na direção da sua fatalidade última: a per­feição relativa.
Os fatores que programam as condições do renascimento no corpo físico são o resultado dos atos e pensamentos das existências anteriores.
Ser feliz quanto antes ou desventurado por largo tempo depende do livre-arbítrio pessoal. A op­ção por como e quando agir libera o espírito do sofrimento ou agrilhoa-o nas suas tenazes.”

SOFRIMENTOS DE NATUREZA KÁRMICA:

“Os sofrimentos humanos de natureza cármica podem apresentar-se sob dois aspectos que se complementam: provação e expiação. Ambos objetivam educar ou reeducar, predispondo as criaturas ao inevitável crescimento íntimo, na busca da plenitude que as aguarda.”

“A provação é a experiência requerida ou proposta pelos guias espirituais antes do renascimento corporal do candidato, examinadas as suas fichas de evolução, avaliadas as suas probabilidades de vitória e os recursos ao seu alcance para o cometimento. Apresenta-se como tendências, aptidões, li­mites e possibilidades sob controle, dores suportáveis e alegrias sem exagero, que facultem a mais ampla colheita de resultados educativos. Nada é imposto, podendo ser alterado o calendário das ocor­rências, sem qualquer prejuízo para a programação iluminativa do aprendiz.”

“A ação do amor brinda o “Ser” com excelentes oportunidades de alterar para melhor o seu desem­penho e as suas atividades.”

“Poder-se-á identificar essa providencial escolha na resignação e coragem demonstrada pelo educando e até mesmo na sua alegria diante das ocorrências dolorosas.”

“As provações se manifestam, dessa maneira, de forma suave, lenificadora no seu conteúdo e abençoada nas suas finalidades.” “Sem o caráter punitivo, educam de forma consciente, incitando ao aproveitamento da ocasião em forma eficiente e mais lucrativa, com o que equipam aqueles que as ex­perimentam, para que se convertam em exemplos, apóstolos do amor, do sofrimento, missionários do bem, mártires dos ideiais que esposam, mesmo que no anonimato dos testemunhos, sempre se tor­nando modelos dignos de serem imitados por outras pessoas.”

“AS PROVAÇÕES MUDAM DE CURSO, SUAVIZANDO-SE OU AGRAVANDO-SE CONFORME O DESEMPENHO DO ESPÍRITO.”

EXPIAÇÕES – Joanna de Ângelis – “PLENITUDE”:

“As expiações, todavia, são impostas, irrecusáveis, por constituírem a medicação eficaz, a cirur­gia corretiva para o mal que se agravou.
As expiações restauram o equilíbrio perdido, reconduzindo o delituoso à situação em que se en­contrava antes da queda brutal.
As origens do sofrimento estão quase sempre, portanto, naquele que o padece, no recôndito de seu ser, nos painéis profundos da sua consciência. E a consciência não perdoa, no que concerne a deixar no olvido o crime perpetrado. O seu perdão só se expressa mediante a reabilitação do infrator.”

CAUSAS ATUAIS DOS SOFRIMENTOS :

“Ao lado das origens cármicas do sofrimento, surgem as causas atuais, quando o “Ser” busca a irresponsabilidade, a precipitação, a prevalência do egoísmo que o incita à escolha do melhor para si mesmo, em detrimento do seu próximo na área das aspirações e se condensam em forma de aflição.”
Portanto, nem todo o sofrimento é Karmático.

A FUNÇÃO EDUCATIVA DO KARMA NEGATIVO – Carlos Toledo Rizzini -”O HOMEM E SUA FELICIDADE”.

“Segundo a justiça decorrente da Lei de Deus, o mal tem limites precisos e só atingirá aquele que tiver dívidas a pagar, defeitos a expurgar, ou que a ele se submeta voluntariamente em virtude de mis­são a desempenhar em favor de outros, portanto, movido pelo amor. Nem sequer um fio de cabelo cairá da cabeça contra a vontade do Criador, tal afirma a expressiva imagem verbal de Jesus. A justiça é perfeita e o espírito esclarecido não carece temer o mal; teme-o, e com razão, o espírito culpado, de­vedor da Lei. A Providência, a seu turno, jamais deixa desamparada qualquer criatura que se mantenha no âmbito da Lei de Deus. O mal é permitido, no harmonioso concerto Universal, como manifestação local, necessária ao desenvolvimento do espírito desordeiro. Mas ninguém estará sujeito a ele sem o merecer. A lei de causa e efeito distribui o sofrimento, a dor, conforme o grau de envolvimento com a prática anterior do mal.

Assim, o mal pune o mal e liberta o espírito, tendo uma função medicinal, purgativa. Nos mundos inferiores, o mal é condição de progresso para os espíritos, tendo, posto isto, um papel útil a desempe­nhar. Não que o mal seja necessário como instrumento de adiantamento ou fator evolutivo, porém, existindo, passa a ter utilidade, porque, como diz Kardec: na criação tudo se encadeia e contribui para o bem geral.”
Como vemos, em muitos casos o portador do “karma negativo”, só desperta para o desejo de mudar quando é defrontado por um mal maior.

Encontramos muitos irmãos que se acomodam aos seus karmas negativos e ouvimo-los dizer: É o meu karma! – e então nenhum esforço é feito para mudar a si mesmo e consequentemente, mudar as situações ao seu redor. Nascem com um “karma negativo”, vivem com ele, acrescendo-o sempre mais, porque não fizeram nenhum esforço para crescerem e saldar esse “karma”.

UMA VISÃO DE CONJUNTO SOBRE OS FATORES DOS QUAIS DEPENDEM OS NOSSOS ATOS E O FUTURO – Carlos Toledo Rizzini – “O HOMEM E SUA FELICIDADE”:

“São eles: Determinismo – Livre-arbítrio – Providência Divina.
Esses são os fatores máximos das forças que atuam em nossas decisões e ações, conduta e destino.
Temos ainda: Restrições pedidas – Fatalidade que é uma mistura de liberdade, exercida antes da recorporificação, e Determinação.
No Determinismo temos uma subdivisão em 4 (quatro) fatores de causas determinísticas. São elas: 1ª – Circunstância (determinismo físico da matéria); 2ª – Afetos (impulsos, necessidades, desejos, etc., ou seja, determinismo psíquico); 3ª – Karma (determinismo espiritual interno); 4ª – Obsessão (de­terminismo espiritual externo).

Analisemos um pouco esses fatores:

Determinismo – Já falamos sobre ele no decorrer do nosso estudo com explicações de Joanna de Ângelis.
Determinismo é o encadeamento de causas e efeitos devido às Leis Naturais, tanto no mundo material quanto no mundo espiritual. No determinismo, o ser humano é posto em movimento por motivos alheios a sua vontade. Causas exteriores ou interiores dão origem aos seus atos. Entre as últimas, insere-se o denominado karma.
karma – É a faixa determinística do destino pessoal, representada pelo retorno e continuação do passado, da qual não há fuga. Promana da Lei de Ação e Reação. Consta, portanto, dos efeitos proce­dentes de causas anteriormente lançadas, ou seja, das consequências de ações emitidas no pretérito. Encontram-se, nessa área, as restrições impostas pela Lei de Deus por motivo de transgressões pré­vias. Assim, a liberdade no presente está limitada por essas dívidas a serem pagas.

Pode dizer-se que a liberdade de agir só atuará a longo prazo, mediante a exteriorização de no­vos impulsos e atos que venham corrigir os maus efeitos agora em questão. Se o passado foi culposo e hoje as consequências dos erros nos acossam, fazendo-nos sofrer, é possível começar a emendá-lo e livrarmo-nos delas, suportando com paciência lúcida as dores purgativas e criando impulsos nobres, ações boas, que neutralizam aqueles resultados pretéritos, de índole maléfica.

Palavras de Dr. Bezerra: “Quanto mais nos revoltamos, mais crescem os compromissos kármicos que reclamarão resgate mais cedo ou mais tarde.”
A finalidade da lei kármica é a educação espiritual/moral.

É uma forma de terapêutica que provem do interior do próprio sujeito. Assim, a máxima parte das enfermidades denota objetivo curativo, servindo para corrigir as falhas morais que lhes deram origem. Tem, pois, o karma um caráter ético. Não é tanto a ação o determinante da dívida, e sim o motivo ou intenção daquele que agiu.

A Lei em exame garante a justiça precisa.
Ela nem sempre se cumpre cronologicamente. Pode ser retardada durante várias vidas, até que o conjunto de condições necessárias ocorra quando o espírito está preparado para defrontar-se com ele.

É difícil imaginar um meio mais eficiente de educação em igualdade e compaixão: o de al­guém transformar-se e suportar aquilo que ele próprio condena e faz sofrer. Através de repetidas vidas, o indivíduo usa de escárnio, ódio e crueldade em outro e fica sujeito, pelo processo descrito, a sofrer isso de volta. O resultado é o desenvolvimento espiritual.

Providência Divina: é o conjunto das ações empreendidas pelos Espíritos Superiores, que são os executores da Lei, portanto da Vontade Divina. É intervenção estranha, exterior, mas voltada para o bem, com tal sutileza e sabedoria que não lesa o livre-arbítrio do favorecido. Zelam pelo destino das pessoas, de modo a não acontecer o que não deve suceder e a dar-se o que foi determinado, exceto nos caos em que haja necessidade de respeitar a vontade pessoal, sempre tendo em vista o adianta­mento espiritual.

Ex.: O indivíduo pode matar-se se assim o decidiu formalmente, mas se estiver em perigo de ser morto inadvertidamente, sem o desejar, a Providência intervirá para impedir o sucesso fatal extemporâ­neo, que viria cortar as possibilidades de progresso fora da época prevista no programa de vida.
Ninguém sofre quaisquer danos sem motivo gerado pelo livre-arbítrio próprio – não há a mínima injustiça!

Livre-Arbítrio: é a doutrina segundo a qual as pessoas são dotadas de liberdade para escolher um dado curso de ação sem coerção externa, mas de acordo com os ideiais ou conceitos morais que tiverem. A liberdade de decisão e de escolha é limitada mecanicamente pelo determinismo físico, redu­zida pelo Karma, entravada pelos impulsos, influenciável pelas sugestões providenciais e até anulada, por vezes, pela obsessão intensa. É portanto, relativa, como o é o determinismo, ambos se combinam em proporções variadas, no destino de cada filho de Deus.

Outra causa limitativa vem a ser as restrições ou inibições pedidas, decorrentes da vontade do próprio espírito exercida no espaço.

Mais um mecanismo restritivo da liberdade de ação é formado pelas conseqüências naturais de todos os atos anteriormente praticados. A escolha é livre; feita, põe o agente dentro de certos limites, preso pelo que advier do que fez e terá de sofrer os efeitos espontâneos do ato praticado. Aquilo que se semear, isso mesmo ter-se-á de colher.

Livre-arbítrio e determinismo coexistem no Homo Sapiens, sendo relativos. A medida que ele se eleva acima das injunções materiais, aumenta a amplitude do seu livre-arbítrio, o que significa ser este conquista evolutiva.

MAIS EXPLICAÇÕES SOBRE O KARMA
André Luiz / Chico – ”Ação e Reação”:
Conversa entre André Luiz e o Mentor Sânzio:
André Luiz: – Grande Benfeitor, poderemos ouvi-lo, de algum modo, acerca do Karma ?


Resposta: – Sim, responde Sânzio, o karma, expressão vulgarizada entre os hindus, que em “sanscrito” quer dizer “ação”, a rigor, designa “causa e efeito”, de vez que toda ação ou movimento de­riva de causa ou impulso anteriores. Para nós, expressará a conta de cada um, englobando os créditos e os débitos que, em particular, nos digam respeito. Por isso mesmo, existe conta dessa natureza, não apenas catalogando e definindo individualidades, mas também povo e raças, estados e instituições. (grifo nosso)

Para melhor entender o “karma” ou “conta do destino criada por nós mesmos”, convém lembrar que o Governo da Vida possui igualmente o seu sistema de contabilidade, a se expressar no meca­nismo de justiça inalienável. Se no círculo das atividades terrenas qualquer organização precisa esta­belecer um regime de contas para basear as tarefas que lhe falem à responsabilidade, a Casa de Deus, que é todo o Universo, não viveria igualmente sem ordem. A Administração Divina, por isso mesmo, dispõe de sábios departamentos para relacionar, conservar, comandar, e engrandecer a Vida Cósmica, tudo pautado sob a magnanimidade do mais amplo amor e da mais criteriosa justiça. Nas sublimadas regiões celestes de cada orbe entregue à inteligência e à razão, ao trabalho e ao progresso dos filhos de Deus, fulguram gênios angélicos, encarregados do rendimento e da beleza, do aprimoramento e da ascensão da Obra Excelsa, com ministérios apropriados à concessão de empréstimos e moratórias, créditos especiais e recursos extraordinários a todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que merçam, em função dos serviços referente ao Bem Eterno, e, nas regiões atormentadas como esta, varrida por ciclones de dor regenerativa, temos os poderes competentes para promover a cobrança e a fiscalização, o reajustamento e a recuperação de quantos se fazem devedores complicados ante a Di­vina Justiça, poderes que tem a função de purificar os caminhos evolutivos e circunscrever as mani­festações do mal.

No mundo, a pessoa inteligente deve estar farta de saber que todo conceito de propriedade ex­clusiva não passa de simples suposição. Por empréstimo, todos os valores da existência lhe são entre­gues pela Providência Divina, por determinado tempo, de vez que a morte funciona como juiz enexorá­vel, transferindo os bens de certas mãos para outras e marcando com inequívoca exatidão o proveito que cada Espírito extrai das vantagens e concessões que lhe foram entregues pelos Agentes da Infinita Bondade. Aí vemos os princípios de causa e efeito, em toda a força de sua manifestação, porque no uso ou no abuso das reservas da vida que representam a eterna Propriedade de Deus, cada alma cria na própria consciência os créditos e os débitos que lhe atrairão inelutavelmente as alegrias e as dores, as facilidades e os obstáculos do caminho.

QUANTO MAIS AMPLITUDE EM NOSSOS CONHECIMENTOS, MAIS RESPONSABILIDADES EM NOSSAS AÇÕES.

Através de nossos pensamentos, palavras e atos, que nos fluem, invariavelmente, do coração, gastamos e transformamos constantemente as energias do Senhor, em nossa viagem evolutiva, nos setores da experiência, e, do quilate de nossas intenções e aplicações, nos sentimentos e práticas da marcha, a vida organiza, em nós mesmos, a nossa conta agradável ou desgradável ante as leis do Destino.

Cada alma estabelece para si mesma as circunstâncias felizes ou infelizes em que se encontra, conforme as ações que pratica, através de seus sentimentos, idéias e decisões na peregrinação evolu­tiva. O destino, ao princípio de cada nova existência, está guardado na mente. Com o tempo, a alma desabrocha ao sol da eternidade, cresce em conhecimento e virtude, floresce em beleza e entendi­mento e frutifica em amor e sabedoria. A alma humana é uma consciência formada, retratando em si as leis que governam a vida. Nossa mente guarda consigo, em germe, os acontecimentos agradáveis ou desagradáveis que a surpreenderão amanhã.

Na consciência humana, a razão e a vontade, o conhecimento e o discernimento entram em fun­ção nas forças do destino, conferindo ao Espírito as responsabilidades naturais que devem possuir so­bre si mesmo.

Por isso, embora nos reconheçamos subordinados aos efeitos de nossas próprias ações, não po­demos ignorar que o comportamento de cada um de nós, dentro desse determinismo relativo, decor­rente da nossa própria conduta, pode significar liberação abreviada ou cativeiro maior, agravo ou me­lhoria em nossa condição de almas endividadas perante a Lei.

COMO PODE A CRIATURA HABILITAR-SE DEVIDAMENTE PARA RESGATAR O PREÇO DA SUA LIBERTAÇÃO?

Como qualquer devedor que, de fato, se empenha na solução dos seus compromissos. Decerto que a criatura, sumamente endividada, precisa aceitar restrições no seu conforto para sanar seus dé­bitos com suas próprias economias. Em razão disso, não pode viver à farta, mas sim com abstinência e suor de modo a liberar-se tão depressa quanto possível.

É imperioso entender que para o Espírito consciente, todo minuto da vida é importante para reno­var e redimir, aprimorar e purificar a si mesmo. Compreendemos que a tempestade, como símbolo de crise, surgirá para todos, em determinado momento, contudo, quem puder dispor de abrigo certo, supe­rar-lhe-á os perigos com desassombro e valor.

O DISCÍPULO CONSCIENTE, DEVERÁ TER EDIFICADO, NA PRÓPRIA ALMA, O ABRIGO CERTO QUE O MANTERÁ SEGURO, NAS TEMPESTADES DA VIDA. DIANTE DE TUDO O QUE APRENDEMOS, PERGUNTAMOS: É POSSÍVEL SER FELIZ?

Estudemos com Joanna de Ângelis em “O HOMEM INTEGRAL”, sobre a felicidade:

“A felicidade relativa é possivel e se encontra ao alcance de todos os indivíduos, desde que haja neles aceitação dos acontecimentos conforme se apresentam. Nem exigências de sonhos fantásticos, que não se corporificam em realidades, tampouco o hábito pessismista de mesclar a luz da alegria com as sombras densas dos desajustes emocionais.

As heranças do passado espiritual revelam manifestações kármicas, que devem ser enfrentadas naturalmente por fazerem parte da vida, elementos essenciais que são constitutivos da existência.

As leis kármicas, que são o resultado das ações meritórias ou comprometedoras, de cada indiví­duo, geram na economia evolutiva de cada um, efeitos correspondentes, estabelecendo a ponderabili­dade da Divina Justiça, presente em todos os fenômenos da Natureza e da Criação. O fatalismo Kár­mico da evolução é a felicidade humana quando o ser depurado e livre, sentir-se perfeitamente inte­grado na Consciência Cósmica.

A resolução para ser feliz rompe as amarras de um karma negativo, face ao ensejo de conquistar mérito através de ações benéficas e construtivas, objetivando a si mesmo, o próximo e a sociedade. Não existe nenhum impedimento na vida à felicidade!
Uma resignação dinâmica ante o infortúnio, a naturalidade para enfrentar o insucesso negando-se a que interfiram no estado de bem-estar íntimo, que independe de fatores externos, realiza a primeira fase do estágio feliz.
O amadurecimento psicológico, a visão correta e otimista da existência, são essenciais para ad­quirir-se a felicidade possível.

MEIOS PARA SER FELIZ

Idear a felicidade sem apego e insistir para consegui-la, trabalhar as aspirações íntimas, harmoni­zando-as com os limites do equilíbrio; digerir as ocorrências desagradáveis como parte do processo; manter-se vigilante, sem tensões nem receios e se dará ao amadurecimento psicológico, liberativo dos karmas de insucesso, abrindo espaço para o auto-encontro, a paz plenificadora.

O amor é o antídoto para todas as causas do sofrimento, por proceder do Divino Psiquismo, que gera e sustenta a vida em todas as suas expressões.
Laurizado pelo amor, o “Ser” discerne, aspira, age e entrega-se em confiança, irradiando energia vitalizadora, graças à qual se renova sempre e altera para melhor a paisagem por onde se movimenta. O amor é sempre o conselheiro sábio em qualquer circunstância, orientando com eficiência e produ­zindo resultados salutares, que propelem ao progresso e à felicidade.

Na raiz de qualquer tipo de sofrimento sempre será encontrado como seu autor o próprio espírito que se conduziu erroneamente, trocando o mecanismo do amor pela dor, no processo de sua evolução. A fim de apressar a recuperação, eis que se inverte a ordem dos acontecimentos, sendo a dor o meio de levá-lo de volta ao amor, por cuja trilha se faz pleno e é feliz.

MENSAGEM:

Componentes desta Fraternidade!
Estais aqui reunidos pelos ideais comuns que são a base, o alicerce desta Fraternidade.
Esta Fraternidade tem a ousadia de se chamar Fraternidade dos Díscipulos de Jesus. Já enten­destes que este nome representa a meta a atingir. Precisais ter isto muito presente em vossas mentes e vossos corações.
Quereis, dentro da senda em que caminhais, vos tornar Discípulos de Jesus. Esta Fraternidade pois, representa a misericórdia de Jesus. O Mestre do amor, por todos vós. Ela, a FDJ é um dos elos que nos leva ao Caminho, à Verdade e à Vida, que Jesus vos enviou para que vos tornásseis Seus Discípulos.
Esse caminho que Jesus vos possibilita palmilhar, através desta Fraternidade, é um caminho es­treito, cheio dos tropeços que criastes, na longa estrada por onde andastes, nas muitas vidas que já vi­vestes pelas estradas largas do mundo.
Agora, que já agasalhastes em vossas almas o doce chamamento de nosso amado Mestre Jesus, encontrastes o caminho estreito, verdadeiro, mas, nele tereis que deixar que a verdade penetre em vós, e passardes a vivê-la.
Estais atentos, pois não podeis parar na estrada! Não podeis descansar! Precisais entender que tendes um karma coletivo a saldar. Um dia, no passado, escolhestes Barrabás a Jesus foi crucificado! Mais adiante, na França e na Espanha, prendestes, torturastes e matastes aqueles que já entendiam Jesus e queriam liberdade para seguí-Lo. Tendes andado pela vida, encarnação após encarnação, dis­seminando idéias contrárias ao amor, à união, à fraternidade; criastes preconceitos de separação, de desordem, de liberdade mal conduzida, de crueldade e mil coisas mais.

Agora, acordastes! Bendita hora em que despertaste! Depois de tanto desmantelo, na inconsciên­cia em que ainda andais, quereis Paz, Saúde, Progresso, Bem-estar! Clamais por um Mundo melhor!

É, pois a vossa hora de construir o Mundo que quereis. Tendes de vos educar no Evangelho de Jesus, com muita seriedade, com muita profundidade. Tendes, como barco salvavidas, pela misericór­dia infinita de Jesus, esta Fraternidade, que se destina a levar-vos ao porto seguro. Estais nela, mas não entendestes bem o que estais fazendo nela. A Fraternidade deve ser a união real de todos os seus membros, como células ligadas umas as outras; nela, ninguém deverá ser capaz de acusar ou julgar seus irmãos e só amor e compreensão, auxílio e perdão mútuos pode haver. O Evangelho de Jesus deve estar vivo em cada coração. As mentes devem estar voltadas para o Bem; as mãos devem estar estendidas para abraçar com sinceridade e amor, a todos. Estas são maneiras de ser daquele que é discípulo desta Fraternidade.

Já sóis assim ? Examinai-vos com sinceridade. Precisais vos lembrar que quereis ser Discípulos de Jesus.
Jesus é Amor, é União, é Perdão, é Entendimento, é Tolerância, é Misericórdia Infinita. Com Ele tereis que aprender a agradecer sempre muito.
Estais no Mundo, neste momento, para saldar karmas pessoais e coletivos! Viveis no Brasil com o compromisso de ajudar Jesus, cumprindo o Plano Superior de fazer desta pátria o Coração do Mundo, pelo amor que irradia em benefício desta Humanidade e pela vivência do Evangelho, que se traduz em exemplificação do Bem, vida limpa e amparo aos semelhantes. Verificai se já estais cumprindo o vosso compromisso!

Com Jesus em vossos corações é possível ser feliz, em qualquer parte e em qualquer tempo, seja qual for a situação externa!
Jesus na cruz estava em paz e era feliz! Tinha cumprido Sua Missão! E vós? Já vos considerais felizes? Digo-vos: Sois felizes e não sabeis!…
Quando vos lembrardes de agradecer, de valorizar a vida que tendes, os ensinamentos que já aprendestes, a graça de estardes neste caminho, pertencendo a esta Fraternidade – compreendereis quanto sois felizes!

Aproveitai o momento presente. Levantai os vossos olhos e vede que os campos estão prontos para a ceifa. Trabalhadores da última hora que sois, arregimentai-vos ao lado de Jesus. Ela aguarda a vossa cooperação ativa e amorosa, fiel e dedicada.

Em nome do nosso amado Mestre Jesus garantimo-vos: Estaremos convosco, ao lado do Cristo de Deus.

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Fontes de Pesquisa:
Livro dos Espíritos – Allan Kardec – perguntas 843 a 850.
O Consolador – Emmanuel/Chico – Determinismo e Livre-arbítrio
Vida Além Vida – Hans Holzer – Cap. 15, O que é exatamente o “karma”?
Plenitude – Joanna de Ângelis/Divaldo – Cap. 111, Origens do Sofrimento.
O Homem e sua Felicidade – Carlos T. Rizzini – 6ª parte, Determinismo/Karma/Providência Divina/Livre-arbítrio.
Ação e Reação – André Luiz/Chico – Cap.7
O Homem Integral – Joanna de Ângelis/Divaldo – Cap. 7, Leis Kármicas e Felicidade.
Momentos de Consciência – Joanna de Ângelis/Divaldo – Cap. 8, Carma e Consciência.